E aquela noite, antes de deitar, levantei de leve o canto do meu travesseiro. Não é que ainda estavam ali? E eu que pensei que mudando de pijama, colocando outra música tocar e tomando uma xícara de chá eles iam sumir. Doce ilusão. Quanto às ilusões, elas continuam ali também. Mas que coisa. Resolveram aparecer novamente essa noite. Pra que?
Agora eu estava sem saber o que fazer. Um cansaço que me doía, as lágrimas que perturbavam e me faziam uma visão turva, as mãos sempre geladas, fazendo machucar cada movimento. As luzes foram apagadas e as cobertas remexidas de forma silenciosa e cautelosa. Fiquei aguardando, espiando por um cantinho, mas eram espertos demais para se mover. Permaneciam lá, estáticos, esperando que eu colocasse a cabeça no travesseiro para se manifestarem. Já sei o que fariam, penetrariam minha mente, depois iriam invadir meu coração, correriam pelas minhas veias, me deixando inquieta.
Em noites como essa, fariam doer lugares esquecidos dentro do meu coração, fariam acordar memórias que eu tanto lutara pra esquecer, fariam meu sangue correr desordeiro, como se perdido. Eu me perderia em mim mesma, como acontecia na maioria das noites. Me deixariam acordada, ansiosa e arrependida. Me fariam mil perguntas e já adiantariam que as respostas jamais seriam encontradas.
Eu sabia de tudo isso, e embora me fizesse mal pensar, decidi que naquela noite seria diferente. Levantei de leve o canto do meu travesseiro, vi-os dormindo pacificamente, eram tão lindos. Quase perfeitos. Construídos e pensados aos poucos, com todo o cuidado e carinho do mundo. Sabe aquelas obras clássicas? Pois bem, eu os assemelho a elas. Tinham cores, formas e objetivos bem traçados. Mas, como tudo que é bom demais é de se desconfiar, eles me faziam mal.
Recolhi, cuidadosamente, com um aperto imenso no peito, aquele punhado de sonhos que eu guardava embaixo do travesseiro. Olhei-os mais uma vez, observei cada um e me lembrei de como os havia idealizado e sonhado noite após noite. Derramei uma lágrima sobre aquele que mais me tocava, e dei adeus, antes que ele pudesse acordar.
Naquela noite, antes de dormir, recolhi meus sonhos debaixo do travesseiro e os coloquei para fora da janela, para que se perdessem e que não encontrassem mais o caminho de volta. O quanto eu queria não ter feito isso, cada uma deles soube. O quanto eu precisei fazer isso, bem eu sei.
E, pela primeira vez, adormeci ali, sem pensamentos, nem mágoas e ilusões. Adormeci, assim, sem os meus sonhos.
Agora eu estava sem saber o que fazer. Um cansaço que me doía, as lágrimas que perturbavam e me faziam uma visão turva, as mãos sempre geladas, fazendo machucar cada movimento. As luzes foram apagadas e as cobertas remexidas de forma silenciosa e cautelosa. Fiquei aguardando, espiando por um cantinho, mas eram espertos demais para se mover. Permaneciam lá, estáticos, esperando que eu colocasse a cabeça no travesseiro para se manifestarem. Já sei o que fariam, penetrariam minha mente, depois iriam invadir meu coração, correriam pelas minhas veias, me deixando inquieta.
Em noites como essa, fariam doer lugares esquecidos dentro do meu coração, fariam acordar memórias que eu tanto lutara pra esquecer, fariam meu sangue correr desordeiro, como se perdido. Eu me perderia em mim mesma, como acontecia na maioria das noites. Me deixariam acordada, ansiosa e arrependida. Me fariam mil perguntas e já adiantariam que as respostas jamais seriam encontradas.
Eu sabia de tudo isso, e embora me fizesse mal pensar, decidi que naquela noite seria diferente. Levantei de leve o canto do meu travesseiro, vi-os dormindo pacificamente, eram tão lindos. Quase perfeitos. Construídos e pensados aos poucos, com todo o cuidado e carinho do mundo. Sabe aquelas obras clássicas? Pois bem, eu os assemelho a elas. Tinham cores, formas e objetivos bem traçados. Mas, como tudo que é bom demais é de se desconfiar, eles me faziam mal.
Recolhi, cuidadosamente, com um aperto imenso no peito, aquele punhado de sonhos que eu guardava embaixo do travesseiro. Olhei-os mais uma vez, observei cada um e me lembrei de como os havia idealizado e sonhado noite após noite. Derramei uma lágrima sobre aquele que mais me tocava, e dei adeus, antes que ele pudesse acordar.
Naquela noite, antes de dormir, recolhi meus sonhos debaixo do travesseiro e os coloquei para fora da janela, para que se perdessem e que não encontrassem mais o caminho de volta. O quanto eu queria não ter feito isso, cada uma deles soube. O quanto eu precisei fazer isso, bem eu sei.
E, pela primeira vez, adormeci ali, sem pensamentos, nem mágoas e ilusões. Adormeci, assim, sem os meus sonhos.




