quinta-feira, 3 de junho de 2010

Talvez,


Talvez daqui algum tempo ela descubra que o mundo tem outros enigmas, esconde outros mistérios.
Talvez...
            Não sei o número exato, mas posso dizer que ela passou uns dias ali, estática, desde que o descobriu.
Foi num fim de tarde, um vento frio soprava, um cenário em preto e branco. Ela ali sozinha, frente a frente com ele. Completamente estagnada, quanto a ele, ia pra frente e pra trás, as botas dela grunhiam, as correias dele também. Eram tão inofensivos, tão fascinantes e ao mesmo tempo, tão misteriosos.
            E por incontáveis vezes é assim. Só eles dois sempre, a imagem lhe parece igual a da primeira vez, todas às vezes. Não importa se há mais alguém ali, ela só consegue notar a sua presença.
Ele ali, todo brincalhão e um pouco bobo. Quanto a ela, sua única proteção e segurança é um pequeno escudo vermelho, que também a protegera da chuva naquela vez. Não que precisasse de um escudo, mas é sempre bom saber que se tem uma segurança.
Ela jamais se atreveu a questiona-lo ou a se aproximar, respeitava-o, ele também o fazia. 
De um lado uma menina, do outro, um balanço, e entre eles, um mundo.

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