quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Falando da língua de uma simplória experiente.

Cheguei em casa hoje com uma vontade louca de ouvir alguma música, que não fosse Moneytalks (estou ouvindo ela demasiadamente por muitos dias seguidos), decidi ouvir Nirvana. Smells Like Teens Spirit, em especial. Adoro a forma firme com que o David Grohl toca, adoro a voz rouca do Kurt gritando “With the lights out it's less dangerous, here we are now entertain us, I feel stupid and contagious”, adoro o começo dela na guitarra. Smells está entre as 20 melhores músicas da história, além de ser considerada a segunda melhor música dos últimos 20 anos, pra quem não sabe. Mas, não é só Smells que eu gosto, sendo sincera, há pouquíssimas músicas do Nirvana que eu não goste.
Simplesmente não há como falar de rock sem lembrar de Nirvana, é uma
banda grunge, o que me agrada bastante, Nirvana fez história no cenário mundial do Rock. Não é qualquer banda que vende 75 milhões de discos, não é qualquer banda que tem um membro fundador como Kurt Donald Cobain, para mim, um dos caras mais irreverentes que a música já viu até hoje. E é sobre esse gênio conturbado que eu quero falar.
     Não quero falar sobre a vida dele, como ele descobriu que amava a música, nem nada dessas coisas que estão no Wikipedia. O que eu realmente estava refletindo era sobre as atitudes que o Kurt tomou. Quem leu a carta escrita à Boodah deve entender do que eu estou falando.  Pra ficar mais claro, vou começar assim:
“Há muitos anos eu não tenho sentido a excitação de ouvir ou fazer música, bem como ao ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras. O fato é que eu não posso fazer você de tolo, nenhum de vocês, posso enganar. Simplesmente não é justo a você ou para mim. O pior crime do que eu posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo como se eu estivesse me divertindo 100%. (...) se tornar o triste, o autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei. (...) É melhor queimar do que se apagar aos poucos.”
BINGO! Admiro o Kurt por isso. É isso que o tornou, além das músicas fascinantes, um astro adorável como é. Diferentemente dos “roqueiros” de hoje em dia (roqueiros, HAHAHAHA), que se interessam somente pelo dinheiro, Kurt mostrou que só se deve fazer música quando isso proporciona prazer verdadeiro a quem faz e a quem ouve.
Olhem para esses coloridos, preto&branco, esses projetos de garotos, essas aberrações, bom, olhem para todos que ‘fazem música’. Em quantos deles tu vê verdade no que faz? Eu não vejo, em nenhum. Embora eu não procure saber/ver/ouvir essa nova geração de rock (o que eles fazem jamais será rock, nem música), sei alguma coisa. Não vejo aquela ‘gana’, aquela excitação, aquela coisa boa que a gente sente quando ouve a banda favorita tocar. Eu vejo marketing, eu vejo pequenos cofrinhos coloridos saltitantes, implorando por moedinhas. Eu não vejo mais suor, olhos brilhando, paixão pela música que é instintiva, que atinge você sem passar pelo cérebro, que vai direto para as vísceras.
Happy Rock (ou melhor: porra de barulho), aprendam que fazer músicas pra adolescentes sem personalidade, pra crianças sem liberdade, vai dar dinheiro, vai. Por uma ou duas temporadas, não mais do que isso. O nome de vocês jamais será lembrado, jamais teremos coragem e orgulho de apresentar a ‘música’ de vocês para os nossos filhos, jamais usaremos camisetas com suas caras estampadas, vocês jamais sobreviverão a modismos, ninguém, nunca, vai dizer “como eu queria ter nascido dez anos atrás pra ir num show deles”, jamais nos arrepiaremos ao ouvir seus solos de guitarra. Simplesmente porque vocês tocam por dinheiro, por uma fama momentânea, por aparecer na capa da Capricho, no programa da Xuxa. Vocês tocam por vocês. Grandes ídolos tocam pelo Rock and Roll!

3 comentários:

  1. Muito bom! Concordo com tudo já supracitado!
    Rock 'n roll é um sentimento, e não um simples marketing! Viva,sinta,morra pelo Rock!

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  2. Após ter lido, respirei aliviado em saber que o mundo ainda não esta perdido e que pessoas que não viveram os anos 80 e até os anos 90, ainda têm bom gosto e uma bela cultura do que realmente pode-se chamar de musica.
    Espero que o pessoal que lêr se inspire e começe a cair na real sobre o verdadeiro sentido da musica.

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  3. O rock morreu no começo dos anos 90.

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