sexta-feira, 29 de abril de 2011

evasão real

Vou correr tudo que puder correr, sem olhar para os lados, sem pensar no que deixei pra trás. Eu só preciso chegar a tempo de ver o futuro no presente. Eu preciso acelerar. Você descobriu, eu sou muito forte, muito mais do que eu enganava ser na frente do espelho, quando a verdade apunhala, a gente aprende, e não é uma equação matemática, é uma equação de sentimentos.  Eu não chorei quando o mundo desabou, eu aguentei, eu engoli aquela dor, eu levantei a cada nova queda, com os joelhos ralados, com a boca trêmula para segurar aquelas lágrimas que gostam de cair nos momentos inoportunos.
Já te olharam no fundo dos olhos e disseram: vais encontrar o mundo? Nos meus sim. E eu estou lutando por tudo isso, eu estou fardada de coragem. Despi-me das velhas ilusões, busco novos climas, explorarei cada canto dessa nova ilha mental em que hei de habitar, porém, jamais esquecerei, mesmo que com uma pitade de hipocrisia, que em essência, todos tempos e locais são iguais.
Com licença, eu busco um novo espaço para tornar minha fantasias reais, uma nova base para construir as paisagens sob uma coloração cambiante de cores. Eu busco um novo eufemismo que transcorra igualmente oposto deste. Eu busco ouro na margem de um rio, desejos variantes nas asas de uma águia, ardor nos olhos do gnomo, transformações de aspirações nas listras do arco-íris, perguntas pras minhas respostas em cachos de uvas, as formas espontaneas nas nuvens de mousse, miragens fantasmas nas folhas, crepúsculo na matinal rotinal das ondas.
Olhe aqui, preste atenção, eu não posso perder tempo, há um pinguim de gravata que me espera para corrermos ao encontro de nossos sonhos. O caminho é o mesmo, as pretensões são diferentes.

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