terça-feira, 12 de abril de 2011

A gente se acostuma

           Parei pra pensar hoje em como cada pessoa se vê, e com certeza nós vamos muito além de uma citação de Bob Marley, dos clichês de ‘sou diferente, único’, e de toda essa coisa prática, básica, (in)útil e pouco verdadeira.
É bem complicado se descrever. Achar as palavras certas para si mesmo, se for perfeccionista como eu, iih, daí fica praticamente impossível. Nada parece o suficiente, nada parece bom, nada parece soar honesto. Mesmo não sendo perfeccionista, mesmo não se importando em buscar a perfeição em tudo que se faz, sempre é pouco, sempre fica incompleto.

Teorias chatas à parte, vamos logo ao que (parcialmente) interessa. Quem já leu O Pequeno Príncipe uma vez, vai dizer que é plágio descarado, quem já leu mais de quatro vezes vai entender sobre o que eu reflito ao som de Engenheiros do Hawaii e de uma generosa chuva.
            Hoje todo mundo se diz bipolar, hiperativo, perfeccionista, fã de rock e de poesia, mas na realidade, a maioria mal sabe o que significam essas coisas, mal sabem o que é uma redondilha, quem foi Castro Alves, o que tocava Chuck Berry. Não condeno. A sociedade realmente corrompe o homem; usando o determinismo como explicação lógica, o homem age de acordo com o meio em que vive, a época e tal. E o moderno agora é citar Linspector, é se dizer fã de Beatles, é ser um ser que não se é. Porém, o não ser não é, só o ser realmente é.
                Por que não ser mais virtuoso, e dar uma definição ímpar?  Por que não dizer que gosta do cheiro de plástico novo nos bancos de um carro de concessionária? Que tem uma coleção de insetos? Que até hoje odeia escrever na ‘folha ruim’ e que ainda não viu o Rei Leão porque chora? Que pode não lembrar o que comeu há 72 horas, mas lembra o que comia com os amigos durante os lanches da tarde há sete anos?  Por que não confessar-se a si próprio? Por que esse medo tolo de não aceitação? Por que esse medo estúpido de mudar?


 
continua, uma hora dessas.

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