quinta-feira, 21 de julho de 2011

Existe algo além?

                À noite podia até caírem algumas ou todas as gotas possíveis do céu, da mesma maneira que o Sol podia enviar todos os seus raios para a janela dela, o vento soprava forte, com aroma de baunilha, ou fraquinho, fazendo-a lembrar do verde da grama. A música já fora tocada em outros ritmos, meio bossa nova, meio rock ‘n’ roll, o sorriso escondeu agonias e exibiu sua euforia, o dia já nasceu tão quente quanto o seu sangue e em outros momentos tão frio quanto suas mãos. Mas quer saber o que eu penso de verdade? Nenhuma dessas coisas importa, ela não prestou atenção em nenhum desses detalhes enquanto esteve com ele.
                Talvez tenha chovido a noite inteira, esfriado, tocado sua música preferida, folhas de árvores podem ter enchido o chão por onde caminharam. Da mesma forma, em algum momento o Sol brilhou ofuscantemente enquanto ela esperava a hora de vê-lo, alguns pássaros cantaram para eles, só para eles e se eu não me engano, até o Pernalonga esteve lá, para marcar alguma coisa. Isso não importa, porque nada, nada se compara a ele.
                E eu não a condeno. Quem consegue olhar para os lados quando dois globos azuis sorriem pra ti? E se fossem só os olhos. Talvez você consiga tempo para prestar atenção em outras coisas, mas ela não precisa desse tempo e nem o quer. Ela está no calor dos braços dele, perdida em sorrisos inigualáveis, assimilando cada palavra inesperada que a voz suave proferia, sentindo seu corpo tremer só de estar ao seu lado, ela só tem tempo e atenção à perfeição que encontrara.
O fato é que ela procurou pelas respostas erradas por muito tempo, mas tudo o que tem em sua frente fazia uma voz nascer dentro dela dizer: vamos lá, não seja boba, garota. Anda, te entrega.
E foi isso que ela fez, seguiu a voz que vinha do seu coração, e não existia mais nada além dele.

1 comentários: