sexta-feira, 15 de julho de 2011

nessa ótica

             jogando-se de cabeça, mergulhando fundo, ignorando todos os buracos pelos quais caíra em outro momento, deslizando pelas ruas, trazendo o passado de volta por uma simples palavra, atirando o futuro pela janela, correndo contra as massas para recuperar um motivo, estar aqui, não querer ficar, fugir, mas não ter para onde ir. Por quanto tempo? Pelo que for necessário, mesmo que doa, que pese como o céu não pesaria. Por onde você quiser ir,seja pela sombra, pela chuva torrencial ou sob um sol de brilho ofuscante, tanto faz, mas não me envolva nisso, há coisas irreparáveis. O envolvimento com uma utopia que se acreditava concreta, e o posterior olhar (que difere completamente de olhos) que mostra a irrealidade em que se imaginou situado são devastadores. Há chuvas que não se acalmam, há almas que não sossegam, como se um simples abraço fosse o suficiente, toda cidade agitada precisa de uma ilha calma, toda alma aflita precisa de um lugar de tranqüilidade. E esse lugar situou-se após o que tu podes ver, depois da linha do horizonte, depois do último pulsar do teu coração, que se localizam onde começa a minha visão, meu desejo, minha verdade. talvez, depois de tudo, então perder tempo seria uma ótima solução, talvez seja a única coisa que eu queira ter perdido. Olhando por essa ótica, o céu nem é tão distante.

0 comentários:

Postar um comentário