quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quanta besteira

            Madruga faz pensar, a melodia daquela noite provinha das gotas de chuva no telhado, o velho rock tocava naquele quarto fechado e escuro, o mesmo clima que esfriava suas mãos, esfriava também os sentimentos. Penso que o clima não tenha esfriado tudo, foi só uma atmosfera bem propícia para isso, é como um dia de chuva e um céu de tons cinza, só servem para acentuar aquela tristeza que parece não ter fim.
            Já são quatro horas da manhã, e ela continua revirando-se na cama, perguntando a si mesma, às fotos presas na parede, aos ursinhos sorridentes e macios, por que. Por que pensar tanto nele, neles dois, no sentimento que algum dia ela creu ter recebido? Quantas vezes ela tinha olhado no espelho e prometido ser forte o bastante para não chorar, ser fria o bastante para não se permitir sentir aquilo tudo novamente. Talvez ela tenha perdido a conta, também, de todas as vezes que disse a si mesma: tudo bem, dessa vez não vai doer, vai ser diferente – e seus olhos brilhavam ao afirmar com toda a certeza do mundo – eu sei!
Em algum momento ela adormeceu, talvez tenha cansado de chorar, já não havia mais maneiras de se enganar. Talvez ela fosse só uma válvula de escape, talvez só fosse cedo demais pra tentar amá-la do jeito certo.


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