Vestindo meu velho suéter andava pelas ruas, buscando distração, buscando algum indício de vida. As pequenas luzes que brilhavam no céu me levaram a ti, e descobri, na mesma noite que aquela noite era tão negra quantos teus olhos. Entrei ali, quase sem querer, quase sem saber. O sossego que eu tinha se perdeu quando as cortinas de veludo vermelho se abriram, assim como se perderam as fitas nos teus traços mais belos. Não faço a mínima idéia de qual música tenha tocado, alguma clássica, que combinava com teu collant rosa antigo, a saia rodada, que dava a impressão de visualizar um anjo dançando em minha frente. Confesso que o teu feitiço tomou conta de mim, as poltronas confortáveis fazia? sentir como se as nuvens estivessem ao meu alcance. A cada rodopio teu, minha ansiedade. A cada passo teu, um disparo meu, o coração batendo sem ritmo ou no teu ritmo. A ponta dos teus pés tocando o chão tão delicadamente quanto meu sangue pulsando nas veias. Meu corpo estremece a cada ato teu, ele palpita de calor. Teus olhos perdidos pela multidão, meus olhos fixos em ti. Alegre aos teus belos sorrisos, permanece aqui, entre tuas idas e vindas, ó formosa bailarina, teu amador de estréia, teu amor de menina.
Reescrita da poesia Caricata Dançarina, Bruno Fabro.
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